Acusado de matar enteado de 8 anos é executado em ambulância do Samu
Por Eduardo Velozo Fuccia
Suspeito de matar o enteado de apenas 8 anos no apartamento onde moravam, Luan Henrique Silva de Almeida, o Fuzil, de 31 anos, foi executado menos de 24 horas após a morte do menino. Dois homens interceptaram a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que o levava à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Samambaia, em Praia Grande (SP), e o atingiram com vários tiros na cabeça.
Momentos antes da execução, Fuzil se refugiava em uma casa na Rua Afonso D’Escragnolle Taunay, no bairro Esmeralda, em Praia Grande, mas teve o paradeiro descoberto e foi baleado por volta do meio dia de sábado (2). O crime aconteceu no interior do imóvel e a sua autoria é ignorada. Acionada até o local, uma equipe do Samu colocou a vítima na ambulância para levá-la à UPA.
Durante o trajeto, os socorristas foram surpreendidos por dois homens. Eles ordenaram a parada do veículo e a abertura da porta do compartimento no qual estava o paciente. Após sobreviver ao primeiro ataque dentro do imóvel, Fuzil não teve qualquer chance de defesa no segundo, na ambulância. A equipe do Samu escapou ilesa e os atiradores fugiram. Ao chegar à UPA com o socorrido já morto, ela acionou a Polícia Militar.
Os policiais que foram à unidade de saúde constataram o vínculo entre o homicídio e a morte do menino Arthur Kenay Andrade de Oliveira, ocorrida no início da noite de sexta-feira (1º/5). Padrasto do garoto, Fuzil estava sozinho com ele no apartamento onde residiam com Janaína Estela de Andrade, de 23 anos, mãe da criança. O imóvel fica no Conjunto Tancredo Neves, na Cidade Náutica, em São Vicente.

Câmeras de segurança
Investigações preliminares realizadas por policiais das delegacias de São Vicente e Cubatão apuraram que o casal e o menino chegaram ao conjunto às 14h20 de sexta-feira em um Hyundai HB20 prata. Arthur caminhava com normalidade e subiu a escada de acesso ao apartamento com a mãe e o padrasto. Às 14h57, Janaína saiu sozinha do imóvel e se dirigiu até um salão de beleza próximo, no qual tinha atendimento agendado.
Esses horários estão registrados na filmagem de câmeras de segurança do prédio. Os equipamentos também acusaram que Fuzil saiu do apartamento às 16h19. Ele carregava nos braços o enteado, que aparentava estar desacordado. Arthur foi colocado no HB20 e o padrasto seguiu até o salão de beleza para avisar a companheira que o menino passava mal e seria necessário levá-lo ao hospital.
Em razão de ser um trajeto mais rápido por não ter trânsito, segundo Janaína, Fuzil optou por se dirigir à UPA do Casqueiro, no município vizinho de Cubatão. Durante o caminho, a mulher perguntou ao companheiro o que havia acontecido com Arthur. Ele teria respondido “nada”, mas no salão de beleza, conforme a dona do estabelecimento, o homem contou que se deparou com o enteado “desmaiado no banheiro”.
O garoto chegou à UPA com parada cardiorrespiratória. Os médicos fizeram manobras de ressuscitação cardiopulmonar e ministraram adrenalina, mas não conseguiram reverter o quadro clínico e o menino faleceu. Segundo eles, a vítima apresentava várias lesões pelo corpo, como marcas de unha no pescoço e lábio superior, além de hematomas e equimoses no abdômen, tórax, pernas e nádegas compatíveis com maus-tratos.
O caso foi registrado como homicídio. Fuzil logo entrou no radar das investigações como suposto autor do crime, porque foi embora da UPA e não retornou ao apartamento, deixando atender e responder as ligações e mensagens de Janaína. No último dia 9 de março, ele havia sido condenado a quatro anos e 20 dias de reclusão por receptação e uso de documento falso, mas com o direito de recorrer em liberdade.
Fuzil ainda registrava outras condenações criminais, já cumpridas: três anos, um mês e dez dias de reclusão por roubo qualificado; três anos de reclusão por porte ilegal de arma de fogo, com a substituição da pena privativa de liberdade por prestação de serviços à comunidade e multa; sete anos de reclusão por tráfico de drogas. Todas as ações penais tramitaram pela comarca de São Vicente.
Pai também morreu
Arthur era filho de Francisco Elmo de Oliveira, que morreu aos 28 anos de idade, no dia 1º de março de 2025, durante suposto confronto a tiros com policiais militares, no Morro São Bento, em Santos. Os agentes disseram que Francisco portava um fuzil e abriu fogo na direção deles, motivando o revide. Os PMs não se feriram e apreenderam 2,6 quilos de maconha, um quilo de cocaína e uma moto furtada, além da arma do acusado.
Francisco não portava documentos e Janaína compareceu à CPJ de Santos para fornecer a sua qualificação. A jovem disse na repartição policial que viveu por 11 anos com o ex-companheiro, com quem teve um filho, e alegou ignorar o seu atual endereço. No mesmo Morro São Bento, em agosto de 2022, ele chegou a ser preso em flagrante por policiais militares sob a acusação de tráfico de drogas, sendo depois solto pela Justiça.
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