Márcio Chaer morre após roubo de celular em SP e deixa jornalismo jurídico de luto
Por Eduardo Velozo Fuccia
O jornalismo brasileiro está de luto. Aos 71 anos, Márcio Chaer, diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), morreu neste sábado (3/10), na região central de São Paulo, logo após ter o celular roubado por um marginal. Ele estava em um carro com o vidro aberto, desembarcou para perseguir o ladrão correndo e chegou a recuperar o aparelho, mas sofreu um mal súbito e faleceu no local. O ladrão fugiu.
O legado que Chaer deixa é imensurável, não só no jornalismo, como também no universo jurídico. Admirado pelos colegas de profissão, angariou o respeito dos operadores do Direito por lhes dar voz em um veículo de comunicação especializado na cobertura do Judiciário e pioneiro em seu segmento. Ele fundou a ConJur em 1997, depois de edificar sólida carreira em grandes mídias.
Em poucas horas, a notícia sobre o falecimento se alastrou, causando comoção. Entre as autoridades que lamentaram a morte e exaltaram a importância do jornalista estão o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin; do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Felipe Salomão, e do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques.
Outros integrantes de cortes superiores e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também prestaram homenagens. O Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil e outras instituições públicas e privadas do Direito amplificaram as manifestações de condolências pela morte de Chaer, exaltando a sua contribuição ao jornalismo jurídico.
Defensor da democracia
Ferrenho defensor do Estado Democrático de Direito, Chaer vibrava com o que o fazia e acreditava. Mesclava conhecimento técnico e erudição, mas nunca se distanciava de uma linguagem direta, afiada, clara e objetiva. Rigoroso na apuração, mantinha o mesmo nível de exigência na interpretação dos fatos. Inspirou e continuará inspirando uma legião de colegas e veículos. Posso afirmar isso por mim e pelo Vade News.
Certa feita, ao se referir a determinado jurista, fonte da ConJur, Chaer me disse que ele é uma “usina de ideias”. Na ocasião, para não parecer adulador, apenas concordei, mas agora afirmo publicamente que “usina de ideias” é expressão aplicável ao próprio Márcio Chaer, de quem tive a honra de receber orientações. Entre triste e atônito, encerro este texto, externando os meus sentimentos à sua família e a minha gratidão a Chaer.
Foto: Antonio Augusto/STF
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